Multidões se deslocam para locais de prova simultaneamente em todo o Brasil. Os custos com organização e segurança superam os R$ 600 milhões. Esta é a face mais visível do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), principal vestibular brasileiro, com mais de 5 milhões de inscritos, em 2018. A prova que veio para unificar os vestibulares conseguiu, na prática, ser a única forma de ingresso para um grupo de pouco mais de 100 instituições públicas. Agora, a promessa do Ministério da Educação, é trazer o Enem para o século 21.

Não será uma transformação qualitativa, que avaliará integralmente o candidato em suas potencialidades, mas servirá para tornar o processo mais eficiente ao medir o quanto o aluno aprendeu ao longo de sua vida escolar.

Quando o Ministro da Educação Abraham Weintraub anunciou no início de julho que a partir de 2020 terá início a transformação do Enem em uma prova digital, o governo sinaliza que irá trazer para o Enem o processo que já vem sendo usado por muitas instituições. De fato, faculdades privadas já experimentaram o ganho de eficiência que a tecnologia pode oferecer ao processo de avaliação de alunos. Por sua vez, os estudantes descobriram que fazer um exame de admissão ao ensino superior pode ser menos estressante e mais conveniente.

A Quero Educação, por exemplo, já utiliza o meio digital para avaliar estudantes interessados em ingressar em faculdades privadas em todos o Brasil. Em pouco mais de seis meses, mais de 20 mil alunos experimentaram a Nota Quero e receberam, em poucas horas, a resposta se foram aprovados. Um processo rápido, feito pelo computador ou celular, em casa, a qualquer momento.

A prova segue os mesmos moldes do Enem. O aluno tem tempo determinado para concluir o teste e a redação é corrigida por professores, como em qualquer vestibular. Além disso, o sistema envolve verificações de segurança para garantir que quem responde as questões é realmente o candidato à vaga. Mais do que realizar uma prova online, o candidato consegue passar pelo processo de admissão ponta a ponta, desde o vestibular até a matrícula em apenas um ou dois dias. É o vestibular on-demand.

O exame digital passa a fazer mais sentido quando é levado em conta o universo de possibilidades que a tecnologia já oferecer à população. O mundo é digital e os estudantes também são. Além disso, para a maioria esmagadora das faculdades, o vestibular não é um exame para saber quem deve entrar e quem vai ficar de fora. Esse método excludente deixou de fazer sentido quando a expansão do ensino superior resolveu o problema da falta de vagas. Como há mais vagas disponíveis no ensino superior do que alunos interessados em estudar, fazer um exame de ingresso tem a função de avaliar se o aluno possui ou não os conhecimentos necessários para acompanhar o seu curso, atendendo aos requisitos de admissão estabelecidos pelo Ministério da Educação.

Recursos tecnológicos como esse vão se constituindo em valiosos agentes de mudanças para a melhoria da qualidade do processo de ensino-aprendizagem e captação de alunos de forma cada vez mais ágil. De fato, desafios como a garantia de segurança de informações e dados, bem como uma infraestrutura adequada para suprir a necessidade dos candidatos, são temas que não podemos ignorar, mas ferramentas dentro deste contexto de inovação, imediatismo e praticidade para ambientes educacionais são, certamente, cada vez mais necessárias pelo mundo digital – e as instituições que não conseguirem acompanhar as mudanças estarão sujeitas a cair cada vez mais na obsolescência.

Lucas Gomes é Diretor de Ensino Superior da Quero Educação e co-criador do Quero Bolsa, plataforma digital de acesso a faculdades que já ajudou mais de 500 mil alunos a ingressarem no ensino superior. Engenheiro de Computação formado pelo Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA), Lucas trabalha para ampliar o acesso à educação e oferecer novas possibilidades às instituições de ensino por meio da tecnologia.

Artigo escrito por: Por Lucas Gomes, Diretor de Ensino Superior do Quero Bolsa

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